– Tá difícil tomar o poder pelas urnas. Eles chamam ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, mas acho pura frescura. Melhor a gente governar sem legislativo e judiciário. Eu sozinho faço o legislativo e o judiciário. Tudo errado o que se ensina na escola sobre governar.
– Fácil! É só fechar o Congresso e STF.
– Verdade, mas como fazer?!
– Tente com os militares. Depende do povo nas ruas. Afague, entregue cargos e outras vantagens. Topa?
– Não é a bebida, mas é uma boa ideia. Vamos trabalhar: muitas notícias falsas e no 7 Setembro dará certo. Deu certo com Hitler e Mussolini, dará aqui. Mande os meninos produzirem nas redes sociais. Diga que o pessoal do Rio, outra pessoa fará contato.
…
–Rapaz, que raiva! Muitos que se comprometeram não apareceram. Soltaram o “filho da p…”, vai complicar. Temos que ir pra eleição mesmo sem gostar da justiça. Que saudade de Tp, nos ajudou muito com notícias falsas e bens materiais. Inventem que há fraudes nas urnas. O X. é de lascar, mas vamos acabar com eles.
– Estamos trabalhando chefe, temos algumas emissoras de rádio, políticos, professores, negros e mulheres do nosso lado.
–Liberem dinheiro para obras de interesse do legislativo.
…
– Perdemos a eleição, mas vamos tomar o poder na marra. Militares garantem que se o povo for pra rua eles seguram a barra e a gente volta.
– Então vou detonar do nosso jeito! Vamos criar nossa “democracia” derrubando eleição, universidades, conselhos, direitos e quem aparecer na frente.
Não quiseram pintar no sete, mas agora depois das eleições, neste oito, será nossa vez definitivamente. A força está esperando a hora de entrar. Fácil, fazendo o quebra-quebra e ela entra pra organizar, nós saímos, eles tomam conta e passa pro chefe. Tudo combinado!
– Invadiram e quebraram tudo.
– Ótimo, quando posso voltar?
– Eita! Seu pessoal não tomou o poder?
– Quebramos tudo e ninguém apareceu?
– Apenas países protestando contra o quebra-quebra feito pelos nossos. Tem muita gente unida com eles e defendendo a democracia. Até muitos de seus amigos. Gente nossa trocou a casaca.
– Deu errado chefe! Tem muitos amigos presos, porém muitos nos traíram. A grande maioria se uniu contra nós. E agora o que faço?
– Afinal, passei anos no poder, tentei de tudo para continuar, a turma quebrou tudo e esse tal de “ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO” não aparece. Procure por todo o país esse “filho da p…”. Se achar esta tal de democracia traga também. Ele ou ela não tem coragem de aparecer? Quando achar, marque o local que quero duelar sozinho com eles. Pode ser no gramado plano. Só assim, acabo com os dois e tomarei o poder. Somente prestarei contas a ‘Deus’ como no absolutismo francês do século XVIII.
…
– Opa! Quem sou? Presidente, rei, cowboy ou pessoa? Não importa, quero acabar com esse “Estado Democrático de Direito” e com essa democracia”.
– OK chefe! Suas ordens serão cumpridas.
…
– Tá difícil – respondeu o espelho d’agua.
– Por que está? – perguntou o chefe.
– Na verdade vos digo: nem eu existo – disse o espelho.
– Tá louco – respondeu o chefe – falo com você todos os dias e agora me dizes que não existes.
– Delírios são delírios chefe. Nada mais.
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(*) Valtênio Paes de Oliveira é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada-Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.
** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor. Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.