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Minha mãe é uma peça 2: uma comédia inteligente

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Aline Laranjeira (*)

Dona Hermínia não para. Nesse segundo filme, o qual está sendo mais um sucesso de bilheteria nacional e com razão, suas aventuras de ora moderna, ora tradicional mãe da família brasileira são cada vez mais inusitadas. Apesar de continuar revelando-se uma mãe preocupada, estressada e ansiosa, novas emoções e eventos acometem-na, fazendo-lhe refletir ainda mais sobre o seu papel de mãe solteira e qual caminho deve trilhar dali para frente.

A história continua com seu teor inovador ao abordar de maneira natural, engraçada e não caricata a homossexualidade, independência, dramas juvenis, questões feministas, além dos próprios sentimentos e inquietações de uma mãe. A trama, dessa vez, envolve ainda mais assuntos como amizade, companheirismo, perdas e dilemas familiares recorrentes no cotidiano de qualquer ser humano.

Neste segundo episódio é possível enxergar uma Tia Zélia mais delicada e necessitada de acompanhamentos especiais, entretanto a atenção e o carinho de Dona Hermínia, que mesmo tão atarefada com seu trabalho na emissora de televisão e na resolução das indecisões e decisões de seus filhos, não a abandona, tornando a questão da fidelidade familiar um aspecto que enaltece e sustenta de maneira positiva o enredo.

O telespectador se depara, inclusive, com a relação entre a protagonista e sua irmã, Lúcia Helena (Patrícya Travassos), a qual inicialmente aparenta ser invasiva e enfadonha, porém, durante o longa, essa descrição se altera e é possível entender que a própria personalidade de Dona Hermínia transmite uma visão negativa e aborrecida.

Minha mãe é uma peça 2 é uma das poucas comédias inteligentes amparadas pela Globo Filmes, a qual, sistematicamente, vem empurrando uma fase sem muitas criatividades no mundo da comédia, principalmente, no que se refere à realidade do dia a dia do brasileiro, lançando, muitas vezes, histórias sem conteúdo.

 Diante disso, o filme em questão apresenta um roteiro bem estruturado, com uma trilha sonora bastante interessante, abrangendo do mundo jovem e descolado até pequenas doses de melodias mais adultas. Este filme é, portanto, uma demonstração de que é possível se fazer comédia com piadas que agradem a todos os públicos, sem exageros ou desastres e nisso, certamente, Paulo Gustavo (roteirista e protagonista da história) acertou na dose.

(*) Crítica de cinema

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Aline Laranjeira

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