A segurança alimentar é uma das preocupações do consumidor na hora de levar os itens da lista de compras para casa. Uma das recomendações dos especialistas é conferir sempre o selo de fiscalização no rótulo dos produtos. Em Sergipe, o Serviço de Inspeção Agroindustrial, Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal do Estado (SIE/SE), setor da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), é o encarregado por validar as condições em que os alimentos são manipulados e armazenados. O consumo de alimentos clandestinos pode resultar em riscos à saúde.
Ainda que não haja conhecimento técnico suficiente para ler com precisão as informações do rótulo, a conferência do selo SIE na embalagem assegura a qualidade de como o produto foi processado. “Não é minha área de formação, mas entendo que a fiscalização é fundamental para garantir a nossa própria saúde. O selo comprova que os alimentos foram testados quanto à presença de contaminantes. A fiscalização contribui para que os produtores e fabricantes sigam as normas estabelecidas de higiene. Além disso, as informações sobre o produto nos ajuda a não consumir falsificações”, opinou a professora aposentada Maria Ramos.
Lucas Aragão é dono de uma fábrica de laticínios na bacia leiteira de Nossa Senhora da Glória, no alto sertão sergipano, e adquiriu o selo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), que possibilita a comercialização da produção em todo país. O processo foi meticuloso, mas lhe trouxe o benefício de ter a possibilidade de ter colocado seus produtos à venda nos supermercados e padarias sem disputar com a temida clandestinidade, sem falar da ampliação do mercado que adquiriu. “Para conseguir o selo eu tive de passar por várias etapas e trâmites de exigências legais. Mas o Estado, principalmente a Emdagro [Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe], sempre nos ajudou e mostrou os caminhos para chegar ao resultado mais rápido”, disse o empresário.
Inspeção por meio de exames laboratoriais, saúde e educação continuada dos seus colaboradores são exemplos de atividades que toda empresa que possui o selo de inspeção no seu produto passa.
Fiscalização

Somente este ano, os fiscais agropecuários já fizeram 356 inspeções e uma delas resultou no fechamento temporário de um estabelecimento laticínio para adequação. Os locais que passam pelas etapas de controle do SIE recebem o selo de inspeção e, a partir daí, os produtos são liberados para comercialização no estado. Esta é a razão pela qual os produtores devem fazer o registro. Lista de documentos necessários está disponível no endereço www.emdagro.se.gov.br
Existem quatro tipos de serviço de inspeção: na esfera municipal está o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), na estadual o Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e na federal o Serviço de Inspeção Federal (SIF). O Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi) é uma espécie de intermediário entre o Estadual e o Federal, que permite a comercialização tanto no estado quanto no resto do país. Cada estabelecimento comercializa dentro de sua esfera de competência (SIM, SIE ou SIF).
O que é
O SIE realiza vistorias técnicas em estabelecimentos sergipanos de carnes, pescados, ovos, leite, mel e seus derivados, além de analisar produtos não comestíveis e projetos para construção de estabelecimentos de armazenagem. É o SIE que emite os laudos que autorizam a comercialização nos municípios sergipanos, atestando ao consumidor final um alimento de qualidade. Em conjunto com outras instituições, como Vigilância Sanitária e Ministério Público, o SIE fiscaliza o comércio varejista e atacadista de produtos de origem animal e participa das análises documental e técnica das amostras.
“A grande importância do selo é a garantia da segurança alimentar que o consumidor tem. Fazemos um apelo ao consumidor: só adquira produtos que ele saiba a origem! Que ele aprenda a ler no rótulo, ver quem fabricou, quais foram os órgãos que fiscalizaram essa manipulação”, alertou a diretora de Defesa Animal e Vegetal da Emdagro, Maria Aparecida Andrade.
O Decreto 41.039/21 e a Lei estadual 8887/21 regulamentam o SIE. Para obter o registro, o produtor deve requerer visita prévia ao diretor-presidente da Emdagro e apresentar a documentação exigida. A lista com os documentos necessários está disponível no endereço www.emdagro.se.gov.br. Entre os requisitos estão a conformidade da planta e equipamentos e o principal, que é a permanência de um médico veterinário responsável técnico da produção no local da fabricação.
“Sabemos que tem muitos produtos comercializados sem a devida inspeção. O que observamos é muito comercialização nas praças públicas, principalmente de queijo. É simples, se não tem selo, não sabemos a origem. Então é um risco muito grande para a saúde do consumidor. Tanto a manteiga quanto o queijo são produtos sensíveis, que podem deteriorar com facilidade”, alertou a diretora.
Segurança
Comprar produtos inspecionados é a garantia que o consumidor tem de que o alimento foi processado e armazenado de maneira adequada. A cultura de conferir o selo no rótulo é fortemente encorajada por profissionais da área de saúde. Segundo a nutricionista Flávia Freire, o produto certificado é um alimento seguro em termos sanitários. Ou seja, antes da certificação, a empresa passou por análise de boas práticas de manipulação de alimentos e foi analisado todo o processo, desde a matéria-prima, produção e distribuição, até a mesa do consumidor.
De acordo com a especialista, um dos maiores problemas do consumo de produtos sem inspeção é a toxinfecção alimentar, em razão de contaminação por bactérias ou toxinas, que, inclusive, podem levar à morte. “Um alimento não seguro em termos nutricionais e sanitários pode levar indivíduos a quadros de diarreia, infecção e internação. Um alimento que não obedece normas de manipulação e conservação aumenta o risco de está contaminado por salmonella e escherichia coli, bactérias de origem fecal, levando a enfermidades que podem ser fatais, principalmente em grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos.