Categorias: André Brito

Tudo está invertido

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Dia desses conversava com a excelente atriz Rosana Costa, após a apresentação de uma peça numa escola, falando sobre segurança com energia elétrica. Não sei por que cargas d’água (nunca entendi essa expressão, mas sempre tive vontade de usá-la!) entramos no assunto de cuidado com os pais. Rosana me falou sobre o modo como o pai dela foi cuidado, durante 15 anos, acamado após sofrer AVC (Acidente Vascular Cerebral, conhecido popularmente como derrame).

No seu relato, com olhos brilhando, a atriz destacava a entrega que sua irmã Kátia (ela não me falou se era escrito com C, então lá vai o K) dedicou ao pai nesses anos: ele estava sempre cheiroso, bem cuidado, arrumado. Foram anos e anos de dedicação recompensados com sorrisos.

Parei pra me perguntar, como quem se maravilha com as mínimas coisas que nos acontecem: quantos filhos e filhas largam suas vidas e vão cuidar dos pais? Aliás, vou refazer a pergunta (acho que peguei pesado): quantos filhos e filhas dão a atenção devida aos pais, idosos, que disponibilizaram saúde e tempo para cuidar das crias e hoje não são tratados como deveriam?

O padre Fábio de Melo, em uma de suas valiosas palestras, afirmou uma coisa interessante: quando nos tornamos ‘inúteis’ é quando percebemos quem nos ama de verdade. A idade chega e, com ela, deixamos de ser interessantes, prestativos ou prestadores de serviços.

Entrando em uma esfera mais alargada no assunto, parece que perdemos o apego pelo ser humano. Gastamos mais com acessórios pra cachorro do que com ajuda a instituições de caridade carentes (o pleonasmo é proposital, viu?!). É como se animalizássemos o ser humano e humanizássemos os animais.  (o mercado pet é um p%#@ negócio). Tudo está invertido. Não nos comovemos mais com rostos tristes no vidro do carro ao pararmos no sinal.

– Tio, tem dez centavos pra comprar um pão?

O dedo indicador balança pra esquerda e pra direita. Às vezes só a cabeça. Negativamente. E muitas vezes, apenas o olhar indiferente é a resposta.

Não estou fazendo apologia à contribuição com a mendicância e a permanência de crianças e adultos nos sinais. Falo de algo mais profundo: do direito das pessoas à dignidade, à cidadania, à comida, à bebida, ao lazer, ao sorriso.

– Kátia, você faria tudo de novo?

– Faria, mas com uma diferença.

– Qual?

– Faria melhor do que fiz.

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